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Graus do Rito Adonhiramita

A HISTÓRIA DO RITO ADONHIRAMITA OU MAÇONARIA ADONHIRAMITA

RITO ADONHIRAMITA

A Maçonaria Adonhiramita ou Rito Adonhiramita foi compilada por Louis Antoine Travenol, que usava o pseudônimo de Abade Leonard Gabanon (Louis Antoine Travenol: 1698 - 1783, Paris, França) em 1738 com a publicação oficial de seus primeiros rituais em 1740 (Catéchisme dés Francs Maçons ou Le Secret dés Francs Maçons), tendo como base o antigo Rito Inglês Primitivo, a princípio com três graus simbólicos, sendo reformado e adpatado ao filosofismo pelo Barão de Tschoudy, (Louis Theodore Henri Tschoudy: 1727, Metz, França - 1769, Paris, França) com a participação de Pilert (Jean Baptiste Thomas Pirlet: 1717, Namur, Bélgica - 1791, Paris, França); e uma segunda adaptação e compilação por Saint-Victor, (Louis Guillemain Saint-Victor: 1722 - 1803, Paris, França) denominado de "Recueil Precieux de La Maconnerie Adonhiramite". O Rito Adonhiramita ou Maçonaria Adonhiramita, nasceu, portanto, no seio da Franco-Maçonaria Francesa, com a finalidade de resgatar a essência e a pureza da antiga Ordem dos Pedreiros.

A Criação do Rito Adonhiramita

Travenol compilou o Rito Adonhiramita em conformidade com as normas e diretrizes da maçonaria inglesa primitiva, transformando-a em um verdadeiro professorado filosófico. Purificou o simbolismo expurgando os traçados de cunho exotérico e religiosos que nada tinha haver com a Ordem dos Pedreiros. Corrigiu o principal personagm da Lenda do Terceiro Grau (Hiram para Adonhiram - Livro Sagrado: Velho Testamento), excluindo as especulações do luterismo, hermetismo e templarismo, além das ideias cavalheirescas e cabalísticas presentes nos traçados das obras publicadas até aquele momento que não se relacionavam com os princípios genuinos da maçonaria. 

Os graus simbólicos para Travenol, representavam a mais pura maçonaria, um sistema de ensino que transformava um homem comum em um verdadeiro Professor e Filósofo: "A Evolução Racional da Espécie Humana.”

A Trajetória do Rito Adonhiramita na Europa

Conforme registros e traçados do Grande Oriente da França foi criada em 1773 uma comissão especial para compilar e organizar os altos graus da maçonaria francesa (como já havia ocorrido na Inglaterra), com o intuido de organizar os autos graus existentes naquela época. Naquele momento de explosão e euforia maçônica foi proposto por Alexandre Roettiers de Montaleau (Alexandre Louis Roëttiers de Montaleau: 22/11/1748 - 30/01/1808, Paris), a formação de uma comissão especial para estudar os graus e ritos existentes na França, buscando criar assim, um sistema ordenado que contemplasse toda filosofia em um único compêndio.


Neste efervescer de acontecimentos próprios da época, surge então, em 1781, Louis Guillemain de Saint-Victor, com a publicação de um compêndio denominado “Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite” (1ª Ed. – A Philadélphie/Philarethe). Essa obra foi traduzida para a língua portuguesa como “Coleção Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”, com quatros graus: Aprendiz, Companheiro, Mestre Maçom e Mestre Perfeito; completando assim, o simbolismo da época, sintetizando toda vertente francesa daquele tempo, mantendo Adonhiram (Louis Travenol, 1738-1748) como o grande personagem da Lenda do 3º Grau.

Em 1785, o Grande Capítulo Geral da França entregou seu trabalho de "Síntese dos Altos Graus Franceses". No ano seguinte (depois do falecimento de Travenol), Saint-Victor publicou a segunda edição da Coleção Preciosa. Ele apresentava um compêndio com 12 Graus, sendo o Rosa-Cruz como o "nec plus ultra”  (sugerido por Tschoudy), seguido de um texto inserido no final da nova edição, informando em notas, tratar-se, simplesmente, de uma curiosidade maçônica. 

 

Saint-Victor afirmava que o grau chamado "Cavaleiros Noaquita ou Prussiano" não teria nenhuma conexão com a série anterior de doze graus apresentada por ele, deixando claro que seria somente a título de complemento e curiosidade maçônica que trouxe para o seu segundo volume, uma tradução de um compêndio alemão do Grande Inspetor Geral das Lojas Prussianas, Conde M.  de Saint-Gelaire,  Inspector-Geral das Loja Prussinas na França. Sua obra foi traduzida em 1757 do germânico para o francês por M. de Bérage. Neste mesmo ano, Saint Gelaire funda o Capítulo Noaquita em Paris.  

 

Autores variados da época afirmavam em suas obras literárias que o compêndio publicado por Saint-Victor teve repercussão extremamente positiva a ponto de, após o lançamento da primeira edição, no mesmo ano, a segunda edição da Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita já estava sendo publicada no exterior, especificamente na Filadélfia. Esta obra se tornou uma referência canônica do Rito Adonhiramita, foi com ela que o rito alcançou ampla divulgação e expansão na europa, chegando a se tornar o principal rito do Grande Oriente Lusitano, sendo exportado para suas colônias. Na França, tornou-se o padrão da Maçonaria Ortodoxia. Vale lembrar que a base da obra de Saint-Victor são os graus simbólicos criado e compilado por Travenol.  (França: 1740).

O Rito Adonhiramita no Brasil

Alguns autores brasileiros acreditam na possibilidade das lojas “Reunião” (Grande Oriente da Ilha da França: 1801-1805) e “Distintiva” (1812) ter sido fundadas no Rito Adonhiramita por conta de intercâmbio dos viajantes portugueses e franceses da época para a cidade do Rio de Janeiro, infelizmente, sem prova documental. Pode-se afirmar que o rito foi oficialmente instalado no Brasil, em 15/11/1815, com a fundação da Loja Maçônica "Comércio e Arte". Conforme constam no anais da história, seus trabalhos foram interrompidos precisamente em 30/03/1818, quando o Imperador D. João VI emitiu um Alvará Régio "Lesa Majestade", obrigando as sociedades secretas, de qualquer forma e denominação no território luso brasileiro cessarem suas atividades. Esta data, ou seja, "15 DE NOVEMBRO" é considerada o "Dia da Maçonaria Adonhiramita".

A Loja Comercio e Arte retoma suas atividades em 24/06/1821. E, precisamente em 17/06/1822, seguindo o modelo da Bahia, dividiu-se em três oficinas: “Loja Maçônica Comércio e Artes na Idade do Ouro”; “Loja Maçônica União e Tranquilidade; “Loja Maçônica Esperança de Nictheroy”. A partir dessa divisão, formar-se o segundo Grande Oriente no Brasil, simplesmente denominado de "GRANDE ORIENTE BRAZILEIRO" (BRASÍLICO OU BRASILIANO), tendo sua sede instalado na Rua do Conde, de efêmera duração. A Loja Comercio e Arte trabalhava no Rito Adonhiramita, ou Rito dos 12 Graus como era conhecido na época.

Os primeiros rituais impressos no Brasil foram traduzido em 1833 da Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita (Sant-Victor: 1782). Sua impressão foi homologada e autorizada em 1836., sendo impressa sua primeira edição pela Tipografia Astral.

A Fundação da Oficina Chefe do Rito Adonhiramita 

O Oficina Chefe do Rito Adonhiramita nasceu, portanto, no seio do Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio (potência reinstalada em 23/11/1831 por José Bonifácio). Essa potência governava os graus simbólicos e filosóficos dos ritos adonhiramita, moderno e escôces. ​

A Loja Comércio e Artes da Idade do Ouro que estava adormecida desde 1822, volta suas atividades no Rito Escocês Antigo e Aceito, se filiando ao Grande Oriente Brasileiro (Grande Oriente do Passeio, fundado em 1830 e instalado em 24 de junho de 1831 pelo Senador Vergueiro). José Bonifácio, inconformado, funda uma loja homônima, no Rito Moderno de efêmera duração. 

A primeira Loja do Rito Adonhiramita a ser fundada no Grande Oriente do lavradio foi a “Sabedoria e Beneficência”, na cidade de Niterói, (abateu colunas em 1850). Em 1839 surgiu a segunda, denominada de “Firmeza e União”. No mesmo ano, o GOB do Lavradio instituiu o "Grande Colégio dos Ritos Azuis", incluindo o Rito Adonhiramita.

Em 1854, com a incorporação regular do Rito Escocês Antigo e Aceito ao GOB do Lavradio, o “Grande Colégio dos Ritos Azuis” sofreu uma transformação significativa, tendo em vista que oficialmente o REAA se incorporaria ao GOB, exigindo um governo decentralizado. Assim, foi criado e instalado em em 1855 o “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” (Ritos Moderno e Adonhiramita), que comporia colateralmente ao Supremo Conselho do REAA. O Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis teve efêmera duração. ​Vale salientar que 1863, menos de dez anos após sua criação, ocorreu a dissidência na maçonaria brasileira liderada por Saldanha Marinho, quando foi criado e instalado o “Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos. As Lojas fundadoras da nova potência foram as seguintes: Caridade; Comércio; Dezoito de Julho; Estrela do Rio; Imparcialidade; Philantropia e Ordem, e; Silêncio.

​Passado dez anos após a cisão, precisamente em 21 de Junho de 1870, Saldanha Marinho resolve propor a Visconde do Rio Branco (Grão Mestre do Grande Oriente do Lavradio) a fusão da maçonaria brasileira em uma única grande família maçonica. ​Após um ano da proposta, acordaram os termos da votação para a realização da fusão. Ocorreu a votação em duas sessões como segue: a primeira, em 29/05/1872; a segunda, em 04/06/1872; sendo aprovada através do Decreto 01 (29/01/1872) e o Decreto 02 (04/06/1872). O Grão-Mestre Provisório nomeado para administrar o novo corpo foi o Dr. Antônio Felix Martins (Barão de São Félix).

No mês de setembro do mesmo ano foi realizada as eleições para o cargo de grão-mestre da nova potencia resultado da fusão, denominado de Grande Oriente Unido do Brasil, sendo vencedor, Saldanha Marinho, com 222 votos validos contra 190. ​Visconde do Rio Branco, sendo derrotado nas urnas, inconformado, declarou nula a fusão através do Decreto nº 13 de 16/09/1872 (seguindo os mesmos preceitos de José Bonifácio). Um pequeno grupo de lojas segue Visconde do rio Branco. A partir da edição do citado decreto voltou a atividade as duas potências, ou seja, o Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos e o Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio. Nesta ocasião passou a existir três potências maçônicas distintas: GOB-L - Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio; GOB-B - Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos;  GOUB - Grande Oriente Unido do Brasil (nova potência regular do Brasil resultado da fusão). Além das três potências citadas, existia também uma quarta, denominada Grande Oriente Brasileiro (conhecido também como Grande Oriente do Passeio - GOP (potência fundado em 1830 por Senador Vergueiro).

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Em 1874, o Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos cessou suas atividades definitivamente sendo extinto. Suas lojas se filiaram no GOUB e no GOB-L, o restante no GOP - Grande Oriente do Passeio. 

O Rito Adonhiramita foi muito bem sucedido no Grande Oriente Unido do Brasil. O número de Lojas do rito suplantou aquelas do GOB-L (5x2). Assim, a nova potência (resultado da fusão de 1872) criou o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas” através dos arts. 31 e 44,  e de sua Constituição, promulgada através do Decreto Nº 04 de 23/09/1872 (a sessão de nº 1 ocorreu em 03/10/1872, quando foi realizada a primeira eleição, sendo empossados seus Grandes Oficiais. A segunda sessão ocorreu no dia 09/11/1872). Seu primeiro Grande-Mestre foi o Visconde de Ponte Ferreira (Dr. João Fernandes Tavares -  27/12/1795 — 10/07/1874, Rio de Janeiro).

No GOB-L existiam duas lojas: a “Firmeza e União II” (1854) , “Aliança” (1869). Para concorrer com GOUB foi fundada uma terceira loja em 1872, denominada de Loja “Redenção”, perfaziam assim, três lojas simbólicas. Com essas lojas o GOB criou através Decreto nº 21, de 02/04/1873, um homônimo, com a mesma denominação, ou seja, “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas”. Seu Grande-Mestre nomeado foi o Dr. Joaquim José da Cunha Guimaraes.

Três anos passado do falecimento de Visconde do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos: 16/03/1819, Salvador – 01/11/1880, Rio de Janeiro), ao completar dez anos da tentativa de fusão (1872), Saldanha Marinho, demostrando todo seu amor pela maçonaria brasileira, empregando todos os meios e esforços para sua unificação da maçonaria brasileira, propôs novamente uma nova fusão, sendo efetuada no dia 21/12/1882. Passando a partir de 01/01/1883, existir tão somente um grande oriente (extinção do Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio e do Grande Oriente Unido do Brasil), simplesmente denominado de "Grande Oriente do Brasil - GOB". Com a fusão, a Maçonaria Adonhiramita se solidifica em única família brasileira. Em 1883, o novo GOB contava com as seguintes lojas adonhiramitas:

Aurora, Belém, PA

Discrição, RJ

Fraternidade Alagoana, Maceió, AL

Liberdade e Fraternidade, RJ

Modestia, Morretes, RS

Mistério, RJ

Perfeita Amizade Alagoana, Maceió, AL

Segredo, RJ

União e Fidelidade, Santarém, PA

Liberdade, RJ

Firmeza e União II, MA

Aliança, RJ

Redenção, RJ

Asilo da Prudência, RJ

Frank-Hiramita, RJ

Descrição, RJ

Aliança e Vigilância de Niteroy, RJ

Luiz de Camões, RJ

AS CISÕES NO GRANDE ORIENTE DO BRASIL E O RITO ADONHIRAMITA

A Fundação do Grande Oriente de São Paulo - GOSP

Surge em 1893 um grupo de lojas lideradas por Dr. Martim Francisco Ribeiro de Andrada III, insatisfeitas com o resultado da fusão dos dois grande orientes, desejando independência e autonomia da maçonaria paulista desde 1883, resolveram então, fazer uma nova cisão, criando assim, em 28/05/1893, um novo corpo maçônico, autônomo, independente, simplesmente denominado de GOSP - GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO (1993-1901). Foram diversas lojas que idealizaram a fundação da nova corporação maçônica, dentre elas, os  meios de comunicação da época destacam: a Loja América; Loja Harmonia e Caridade; Loja Itália; Loja Roma, Loja Sete de Setembro: Loja União Paulista, e; Loja 20 de Setembro. Na mesma data foi fundada a Loja Maçônica  28 de Maio, no Rito Moderno. Nos meses seguintes outras lojas foram fundadas e/ou filiadas ao GOSP. Todas as lojas subordinada ao GOSP praticavam o REAA, enfraquecendo substancialmente o Rito Adonhiramita.

O primeiro Grão-Mestre nomeado para dirigir o GOSP foi o Dr. Martins Francisco Ribeiro de Andrada, tendo como 1º e 2º Grandes Vigilantes, Grande Orador, Grande Secretario, respectivamente: Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva; Dr. Gerônimo Couto; Dr. Lambert César Andreini; Dr. Geraldo Ribas.

Através do Decreto 119, de 22 de junho de 1894, o Grande Oriente do Brasil suspendeu os direitos das Lojas e seus membros que fundaram o GOSP, expulsando-as perpetuamente da potência.

​Inspirado pela maçonaria paulista, entre o periodo de 1894-1901, ocorreram outras cisões nos estados de Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, seguindo o modelo do GOSP.

Conforme relatavam os jornais da época, houve uma tentativa de unificação do GOB e GOSP em 1897, mais sem sucesso. No mesmo ano, as Lojas América e Itália romperam com GOSP retornando para o GOB. Nesta mesma época, o GOSP fundou um novo supremo conselho independente federado ao Supremo Conselho Italiano, com sede em Nápoles.

Graças a persistência, o carisma e liderança do Grão-Mestres Quintino Antônio Ferreira de Sousa Bocaiuva, seguido de Lauro Nina Sodré e Silva, em 1901, a fusão do GOSP e GOB se concretiza, quando da alteração da constituição do GOB e criação e instalação das potências estaduais. O Grande Oriente de São Paulo passou a ser potência estadual federada oa Grande Oriente do Brasil.

A Fundação do Grande Oriente Independente Paulista

As lojas "Sadi Carnot (Piratininga)", "Germinal" (Piratininga), "Humanitas" (Piratininga), "Rio Branco II" (São José dos Campos) fundaram em 1903 (Diário da Tarde, Ano 1903 Edição 01279) uma nova potência simbólica estadual independente, simplesmente denominada de GOIP - GRANDE ORIENTE INDEPENDENTE PAULISTA (1903-1919), sendo incorporada ao projeto em 1908, a Loja Maçônica "Amor e Caridade nº 313", que estava adormecida desde 1887 (extinção do Grande Oriente Brasileiro). Nos anos seguintes outras lojas foram sendo incorporadas ao GOIP. A nova potência foi instalada pelo Grande Oriente do Rio Grande do Sul, tendo como seu primeiro Grão Mestre, o Coronel Antonio de Carmo Branco. 

Com a posse do Grão-Mestre Nilo Procópio Peçanha, as lojas dessa potência foram sendo incorporadas no GOESP - Grande Oriente Estadual de São Paulo (resultado da fusão do GOSP e GOB em 1901). Em 1919 o GOIP foi definitivamente extinto e suas lojas incorporadas ao GOB e outras adormeceram. Todas as lojas do GOIP trabalhavam no REAA enfraquecendo substancialmente o Rito Adonhiramita.

A Fundação do Grande Oriente Autônomo

de São Paulo

Precisamente em 09/01/1916, as lojas italianas independentes "Libertas", "Fratellanza Universale", "Giustizia" e "Giuseppe Mazzini" fundaram uma nova potência simbólica no Estado de  São Paulo, denominado de GOASP - "GRANDE ORIENTE AUTÔNOMO DE SÃO PAULO (1916-1922), sendo incorporada ao projeto, a Loja Maçônica "Lavouro Fratellanza (Cravinhos). Foi aclamado como Grão-Mestre, o Prof. Dr. Arthur Guaniery, tendo como Grão-Mestre Adjunto, o Dr. Antônio Piccarollo, ambos italianos. 

A partir desse momento passou a existir no Estado de São Paulo as seguintes potências: a) GOASP - Grande Oriente Autônomo de São Paulo, com sede a Rua José Bonifácio, 39; b) GOIP - Grande Oriente Independente Paulista, com sede a Rua Luiz Gama, 137; c) GOESP - Grande Oriente Estadual de São Paulo (GOB), com sede a Rua Tabatinguera, 74.

Todas as lojas maçônicas do GOASP eram formadas por imigrantes Italianos e seus descendentes. Essa potência se dedicou intensamente as causas operárias e ao socorro mútuo dos afetados pela gripe espanhola. Tinha como lema e bandeira: "O Amor e a Fraternidade". No momento em que o Brasil enfrentava a  Gripe Espanhola, o GOASP transformou suas instalações em prontos socorros para atender a população. Essa potência tinha relações fraternais com o Grande Oriente de Itália. - GOI 

Com a renuncia em 1921 do Prof. Dr. Artur Guaniery, ao cargo de Grão-Mestre, as lojas do GOASP passaram a aderir o GOESP - Grande Oriente Estadual de São Paulo (antigo GOSP), levando a potência a extinção. As Lojas Francisco Ferrer (São Paulo) e Águia Negra (Espirito Santo do Pinhal), logo após a posse do Grão-Mestre Mário Marinho de Carvalho Behring, retornaram para a federação. Todas as lojas do GOASP trabalhavam no REAA enfraquecendo substancialmente o Rito Adonhiramita.

As Idas e Vindas do GOSP

Nilo Procópio Peçanha tomar posse em 1917 como grão-mestre do GOB e a crise na maçonaria paulista volta novamente. Conforme relatam documentos históricos arquivados na Biblioteca Nacional, logo após sua posse, os ânimos dos maçons paulistas se alteraram (1917-1921), quando teve início uma série de eventos que levariam novamente a uma possível dissidência da maçonaria paulista. 

De acordo com José Castellani e outros escritores, em 1921, o Grão-Mestre Estadual do Grande Oriente Estadual de São Paulo, Dr. José Adriano Marrey Júnior, convocou uma reunião com as 65 Lojas paulistas para decidir as atitudes que deveriam ser tomadas sobre uma nova cisão, votando a proposta de Marrey Júnior de retirar o Grande Oriente Estadual das fileiras do GOB. Das 53 Lojas participantes dessa reunião, apenas a Loja Piratininga votou contra a separação, justificando seu voto e retirando-se da reunião. A cisão ocorreu, e GOSP torna-se autônomo novamente. O Poder Central reagiu violentamente, declarando pelo Decreto nº 694, de 27/10/1921, a suspensão do Grande Oriente do Estado de São Paulo e cassação das Cartas Constitutivas das lojas dissidentes.

Em 1928, Dr. Marey Jr. e Octávio Kolly celebram um novo acordo para o retorno do Grande Oriente de São Paulo ao GOB, entretanto, só foi reincorporado definitivamente quando da assinatura do Decreto nº 939, de 11/05/1929, tornando-a novamente potência estadual onde permaneceu ate 2018, quando se desfederalizou passando a ser irregular e não reconhecida pela maçonaria nacional e internacional.

A Fundação das Grandes Lojas Simbólicas Brasileiras

Otávio Kelly, eleito em 1927 ao cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, declarou que assumiria o alto posto do Supremo Conselho. sem saber das intenções de Behring, marcou uma reunião de seu Conselho Geral da Ordem para o dia 20/06/1927. Alguns dias antes, precisamente em 17/06/1927, na calada da noite, Mário Behring realizou uma reunião extraordinária do Supremo Conselho tomando decisões importantes como as de expedir Cartas Constitutivas para fundação das Grandes Lojas simbolicas que estavam sendo criadas nos estados da federação brasileira. Como segunda medida, entre outras decisões tomadas naquela célebre reunião, foi a de romper relações com o Grande Oriente do Brasil. Na oportunidade foi declinado que o Soberano Comendador seria elegível pelos membros efetivos e que o Grão-Mestre não necessariamente deveria ter graus além de Mestre Maçom.

Quando o Grão-Mestre Otávio Kelly realizou a reunião do Grande Oriente do Brasil em 02/07/1927, (segunda-feira), a separação definitiva dos graus simbólicos e filosóficos já estava decidida pelo Supremo Conselho de Behring seguindo o modelo dos Estados Unidos. O Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil ficou completamente desnorteado pela decisão tomada por Behring e seus seguidores.

O Brasil estava iniciando as mudanças para adaptar-se as exigências da 3ª Conferência Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceito realizada em Lausanne entre 29/05/1922 à 02/06/1922. Foi lá que iniciou a derradeira exigência para que os Supremos Conselhos fossem independentes. Sendo o Supremo Conselho o legítimo detentor do Rito Escocês perante os outros 35 Supremos Conselhos no mundo as quais, durante anos, Mário Behring manteve profícuo relacionamento.

Da cisão criada por Bering no seio do Grande Oriente do Brasil, surgiriam as primeiras Grandes Lojas Simbolicas, as quais foram regularmente instaladas sob a autoridade de Cartas-Patentes Constitutivas outorgada pelo Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil. Foram elas: Grande Loja da Bahia, fundada em 22V05/1927; Grande Loja do Rio de Janeiro, fundada em 22/06/1927; Grande Loja de São Paulo, fundada em 29.07.1927; Grande Loja da Paraíba, fundada em 24/08/1927; Grande Loja do Amazonas, fundada em 24/06/1927; Grande Loja de Minas Gerais, fundada em 26/09/1927; Grande Loja do Rio Grande do Sul, fundada em 08/01/1928; Grande Loja do Pará, fundada em 28/07/1927; Grande Loja do Ceará, fundada em 19/03/1928.

A partir da fundação das citadas grande lojas e com o apoio do Supremo Conselho de Bering, foram fundadas outras grandes lojas autônomas e independentes em todos os estados da federação brasileira.

As lojas adonhiramitas que aderiram as Grandes Lojas passaam a praticar o Rito Escoces Antigo e Aceito. O Oficina chefe sofreu uma perda irreparável com a fundação das grandes lojas brasileiras.

Outras Cisões na Maçonaria Brasileira

A maçonaria mineira e paulista rompem novamente com o Grande Oriente do Brasil. Cisoes  estas, que foram apagadas dos anais da história da maçonaria mineira e paulista. Os autores e pesquisadores maçonicos desconhem ou omitim esses fragmentos da história. Foram dezenas de lojas que deicharam as fileiras do Grande Oriente do Brasil para constutuir novos corpos autônomos entre 1944-1948. 

Precizamnte em 12/09/1944, no oriente de Belo Horizonte, MG, reuniram-se maçons membros das lojas  "Deus, Humanidade e Luz" "12 de Setembro", "21 de Fevereiro", "Major João Pereira", "Hirã", "Caridade e Justiça" com o objetivo de romper com o Grande Oriente do Brasil e constituir um novo corpo maçônico naquele estado. Aprovado a fundação, o novo corpo passou a ser denominado de Grande Oriente de Minas Gerais, tendo  como seu primeiro Grão-Mestre, o Cel. José Persilva. 

Seguindo o modelo de São Paulo, precisamente em 30/08/1957, o Grande Oriente de Minas Gerais (autônomo), atraves do Decreto  n° 1.789, começava as tratativas  para ser incorporado no Grande Oriente do Brasil. Precisamente em 08/11/1960, foi celebrado um convênio de incorporaçãode dois grandes orientes de Minas Gerais. Atraves do Decreto nº 1877, de 17/12/1960, o Grande Oriente de Minas Gerais foi incorporado no Grande Oriente Estadual de Tiradentes Minas Gerais. Esse novo grande oriente, resultado da fusão, passou a ser denominado de Grande Oriente Minas Gerais.

Em 1948, em São Paulo, com a proposta da construção do Palácio Maçônico do Grande Oriente de São Paulo - GOSP, os maçons alteram-se os ânimos, 50 Lojas sob a liderança do Dr. Jurandir Piures Ferreira dentre outros maçons, tais como: Dr. Fenelon Barbosa, Astolfo Monteiro de Abreu, José de Farias, Jarbas Neves de Assunção, Verdi Marra, Afrânio de Oliveira, Oseas Motta, Gerando Ocura, Manoel Alves Leite, Feliz Catalano, Manoel Fernandes da Costa, Antenor Aires Vianna, Edison de Carvalho Gomes, Afrâncio de Oliveira Motta e Jorge Firmino de Santana (Diario da Noite, Ano 1948/Edição 07249); deixam o GOSP  e fundaram no dia 13/03/1948, o "Grande Oriente Unido" e seu Soberano Supremo Conselho. A administração provisória da nova potência ficou sob o comando e direção do grão-mestre provisório nomeado, Dr. J. B. Osmane Vieira de Rezende, servindo como Secretário e Orador, respectivamente, Dr. José Benedito de Oliveira Bomfim e Dr. Domiciano Pedreira. Em 22/12/1956, através do Decreto 1767 e Ato Complementar 2.479, o Grande Oriente Unido com suas 52 lojas paulista é incorporado ao Grande Oriente do Brasil conforme publicado no Boletim nº 82/Edição/1957. 

Em Minas Gerais foi fundado o Grande Oriente de Tiradentes e seu Supremo Conselho. Em 05/06/1953, esse  grande oriente foi incorporado ao Grande Oriente do Brasil, passando a ser denominado de Grande Oriente Estadual de Tiradentes Minas Gerais. Mais tarde, funde-se com o Grande Oriente de Minas Gerais.

Em 1973 ocorreu uma das maiores cisões na maçonaria brasileira, surge então, os Grandes Orientes Independentes, atualmente (COMAB) voltando a enfraquecer o rito.  Esses Grande Orientes trabalhavam no Rito Escocês Antigo e Aceito.

Todas as cisões ocasionaram perdas irreparáveis para o Rito Adonhiramita e para Sublime Capítulo dos Cavaleiros Noaquita para o Brasil, levando o rito e sua oficina chefe quase a extinção.

A OFICINA CHEFE DA MAÇOARIA ADONHIRAMITA

O Rito Adonhiramita e sua Transformação

O Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas passou a ser chamar em 1953 de "Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil", Oficina Chefe do Rito, autônoma e independente. 

Conforme constam em documentos históricos, em 15 de abril de 1968, era assinado entre o Grão-Mestre do GOB, Dr. Álvaro Palmeira e o Presidente do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, Dr. Josué Mendes, um tratado de aliança e amizade.

Em 1973, ocorreu uma grande reviravolta no Rito, neste ano, treze Grandes Orientes Estaduais se desligaram do GOB, significando uma perda catastrófica. A maior parte das lojas praticantes do Rito Adonhiramita que migraram para as potências autônomas passaram a praticar o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Para recuperar o Rito Adonhiramita dentro do GOB e dentro do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil” era necessário atrair maçons de outros ritos. Dessa forma, em 1873, o “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil” muda sua denominação social para “Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita” (ECMA). Restava ainda a completa reformulação do rito para que se tornasse mais atrativo para uma população maçônica majoritariamente do REAA, ou seja, habituada a um sistema de 33 graus e que não se sentiria atraída por um rito com apenas 13 graus.

Conforme consta nos anais do rito, precisamente em 02 de junho de 1973, ocorreu uma reforma administrativa que o transformou o Sublime Capítulo no Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita, passando a partir de então, de 13 para 33 graus.

Dentro poucos anos, o Rito Adonhiramita estava completamente transformado ou poderíamos assim dizer, destruído sua essência (reneado). Foi Introduzido no rito o que chamamos de "Cerimônias Extras" que nada tem haver com o rituais originais, tais como: cortejocerimonial de incensação; cerimonial das Luzes; movimento para troca das bolsas; circulação no infinito e etc; uma acentuada influência ocultista e uma tendência a contínuas modificações que nada tem haver com o rito; um misto de religião e ocultismo com base nas obras de Jorge Adoum e  rosa-cruzianas. Mas, como esperado, as alterações surtiram efeitos, maçons de todos os ritos e culturas começaram a migrar para o Rito Adonhiramita.

A Regresso do Rito Adonhiramita para Europa

Em 2010, a Maçonaria Adonhiramita faz o caminho de volta à Europa (sua origem),  passando a ser praticado novamente em Portugal. Naquele ano, o Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita com o apoio da Grande Loja Regular de Portugal, instalou e consagrou em solo português, o Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita para Portugal - ECMAP (homônimo do Brasil), declarando-o como único, legal e legitimo "Oficina Chefe" do Rito Adonhiramita para Portugal, firmando tratado de mutuo reconhecimento e amizade.

Por conta das irregularidades na então administração do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita, ocasionando suspensões de direitos maçonicos de quase todos os membros e de seu corpo diretivo junto ao Grande Oriente do Brasil, além de outros fatores de cunho internos, com sabedoria e zêlo, o ECMAP rompeu o tratado  em 2013 com o ECMA, declarando-o irregular. Diante da situação que atravessava a Maçonaria Adonhiramita no Brasil, houve a necessidade de ser instalado uma nova potência filosófica em solo brasileiro, assim nasceu em 2013, o Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita para Brasil - ECMAB, sendo instalado e consagrado pelo Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita para Portugal - ECMAP, declarado-o como único, legal e legitimo Oficina Chefe para o Brasil. Naquela ocasião, o ECMAB teve o apoio em massa da maçonaria regular brasileira e seus grãos-mestres.

O ECMAB em 2016 por motivos de foro interno mudar-se-ia sua razão social para Supremo Conselho Adonhiramita do Brasil - SCAB. Desde então, o SCAB passou a ser considerado o único, regular, legal e legitimo Oficina Chefe para o Rito Adonhiramita em território nacional, guradião legitimo de sua litúrgia.

Infelizmente, até os dias atuais o Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita não conseguiu restabelecer sua regularidade perante a maçonaria regular e reconhecida do Brasil, sendo obrigado para sobrevivencia manter tratado com potencias irregulares.

A ESTRUTURA DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA

 Rito Adonhiramita e sua Estrutura

A estrutura do Rito Adonhiramita foi organizada em três graus simbólicos (Travenol: 1738-1740), e destes, elevaram-se, a princípio, com 13 graus (Sant-Victor: 1781-1887).  Em 1973, com a necessidade das mudanças em sua estrutura para atender uma maçonaria mais participativa, o rito foi elevado para 33 graus extraídos da genuína maçonaria especulativa (Rito de Heredon ou de Perfeição), sendo classificados em sete classes distintas.

A Maçonaria Simbólica ou Maçonaria de São João

Os graus simbólicos, ou seja, Aprendiz, Companheiro e Mestre da Maçonaria Adonhiramita ficam sob a administração exclusiva das obediências simbólicas, sendo autoridades massima seus grãos-mestres. 

A Maçonaria Adonhiramita Filosófica

Suas Câmaras, Capítulos, Conselhos e Patriarcado ficam sob administração exclusiva da Oficina Chefe, ou seja, o SUPREMO CONSELHO ADONHIRAMITA DO BRASIL - SCAB, sendo autoridade suprema o seu Eminentíssimo Grande Patriarca Regente. 

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