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O RITO ADONHIRAMITA OU MAÇONARIA ADONHIRAMITA


O RITO ADONHIRAMITA OU MAÇONARIA

ADONHIRAMITA

A HISTÓRIA DO RITO ADONHIRAMITA

O Rito Adonhiramita

A Maçonaria Adonhiramita ou Rito Adonhiramita foi compilado e publicado em 1744, intitulado de "Catéchisme des francs-maçons", (1744-1748), tendo como base o antigo Rito Inglês Primitivo, por Louis Antoine Travenol, que usava o pseudônimo de Abade Leonard Gabanon (Louis Antoine Travenol: 1698, Paris, França - 1783, Paris, França), à principio, com três graus simbólicos, sendo reformado e adpatado ao filosofismo por Barão de Tschoudy, (Louis Theodore Henri Tschoudy: 1727, Metz, França - 1769, Paris, França) com a participação ativa de Pilert (Jean Baptiste Thomas Pirlet: 1717, Namur, Bélgica - 1791, Paris, França); e uma segunda adaptação e compilação por Saint-Victor, (Louis Guillemain Saint-Victor: 1722, Pariz, França - 1803, Paris, França) denominado de "Recueil Precieux de La Maconnerie Adonhiramite". O Rito Adonhiramita ou Maçonaria Adonhiramita, nasceu, portanto, no seio da Franco-Maçonaria Francesa, com a finalidade de resgatar a essência e a pureza da antiga Ordem dos Pedreiros Livres.

A Criação do Rito Adonhiramita

O Travenol compilou o Rito Adonhiramita em conformidade com as normas e diretrizes da maçonaria inglesa primitiva, transformando-a em um verdadeiro professorado filosófico. Purificou o simbolismo expurgado os traçados de cunho exotérico que nada tinha haver com a Ordem dos Pedreiros. Corrigiu o principal personagm da Lenda do Terceiro Grau (Hiram para Adonhiram conferme Livro da Lei - Velho Testamento), excluindo as especulações do luterismo, hermetismo e templarismo, além das ideias cavalheirescas e cabalísticas presentes nos traçados das obras publicadas naquela época que não se relacionavam com os principios genuinos da maçonaria, restaurando a pureza primitiva da Franco-Maçonaria.

Os graus simbólicos para Travenol, representavam a mais pura maçonaria, um sistema de ensino que transformava um homen comum em verdadeiro professor e filósofo: "A Evolução Racional da Espécie Humana.”

O Surgimento Oficial do Rito Adonhiramita na Europa

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Conforme registros do Grande Oriente da França, foi criada em 1773 uma comissão para compilar e organizar os altos graus maçônicos (como já havia ocorrido na Inglaterra), a partir daí, começa a aparecer naquele país, capítulos e conselhos objetivando gerir os ditos graus. Neste momento de euforia maçônica foi proposto por Alexandre Louis Roettiers de Montaleau, a formação de uma comissão especial para estudar os graus e ritos existentes na França, buscando criar assim, um sistema ordenado que contemplasse toda filosofia em um único compêndio como ocorrido na Alemanha.

Neste efervescer de acontecimentos próprios da época, surge então, o jovem Louis Guillemain de Saint-Victor, com a publicação de um compêndio denominado “Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite” (1ª Ed. – A Philadélphie/Philarethe), sendo traduzido para a língua portuguesa como “Coleção Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”, com os quatros graus: Aprendiz, Companheiro, Mestre Maçom e Mestre Perfeito; completando assim, o simbolismo da época e, de fato, sintetizando toda vertente francesa daquele tempo, mantendo Adonhiram (Louis Travenol, 1744-1748) como o grande personagem da Lenda do 3º Grau.

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Em 1785, o Grande Capítulo Geral da França entrega seu trabalho de "Síntese dos Altos Graus Franceses". No ano seguinte (apos a morte de Gabanon, 1783), Louis Guillermain de Saint-Victor publicou a segunda edição da Coleção Preciosa. Ele apresenta um compendio com 12 Graus (sendo o Grau Rosa-Cruz como o "nec plus ultra”), seguido de um texto inserido no final da nova edição, informando tratar-se, simplesmente, de uma curiosidade maçônica e não mais um específico Grau.

Saint-Victor afirmava que o grau chamado "Cavaleiros Noaquita ou Prussiano" não teria nenhuma conexão com a série anterior de doze graus apresentada por ele, deixando claro que seria somente a título de complemento e curiosidade maçônica que trouxe para o seu segundo volume, um compêndio alemão do Grande Inspetor Geral das Lojas Prussianas, Conde de Saint-Gelaire. Sua obra foi traduzida em 1757 do germânico para o francês por M. de Bérage. Neste mesmo ano, Saint Gelaire funda o Capitulo Noaquita em Paris.

Afirmavam autores em diversas obras literárias dos ultimos séculos que a obra de Saint-Victor teve repercussão extremamente positiva a ponto de, após o lançamento da primeira edição, no mesmo ano, a segunda edição da Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita já estava sendo publicada no exterior, especificamente na Filadélfia. Esta obra se tornou uma referência canônica do Rito Adonhiramita, foi com ela que o rito alcançou ampla divulgação e expansão na Europa, chegando a se tornar o principal Rito do Grande Oriente Lusitano, sendo exportado para suas colônias (Novo Mundo). Na França, tornou-se o padrão da Maçonaria Ortodoxia.

O Rito Adonhiramita no Brasil

Alguns autores acreditam na possibilidade das lojas “Reunião” (1801) e “Distintiva” (1812) ter sido fundadas no Rito Adonhiramita por conta de intercâmbio dos viajantes portugueses e franceses da época na cidade do Rio de Janeiro, infelizmente, sem prova documental. Pode-se afirmar que o rito foi oficialmente instalado no Brasil, em "15 de novembro de 1815", com a fundação da Loja Maçônica "Comércio e Arte". Seus trabalhos foram interrompidos precisamente em 30 de março de 1818, quando o Imperador D. João VI emitiu um Alvará Régio "Lesa Majestade", obrigando as sociedades secretas, de qualquer forma e denominação no território luso brasileiro cessarem suas atividades. Esta data, ou seja, "15 de novembro" é considerada o "Dia da Maçonaria Adonhiramita Brasileira".

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A Loja Comercio e Arte retoma suas atividades novamente em 24 de junho de 1821. Precisamente em 17 de junho de 1822, a Loja, seguindo o modelo da Bahia, dividiu-se em três: “Loja Maçônica Comércio e Artes na Idade do Ouro”; “Loja Maçônica União e Tranquilidade; “Loja Maçônica Esperança de Nictheroy”. A partir dessa divisão, formar-se o segundo grande oriente, simplesmente denominado de "GRANDE ORIENTE BRAZILEIRO" (BRASÍLICO OU BRASILIANO), tendo sua sede instalado na Rua do Conde, de efêmera duração.

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Os primeiros rituais impressos no Brasil foi uma tradução da Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita em 1833. Sua impressão foi homologada e autorizada em 1836., sendo impressa sua primeira edição pela Tipografia Astral.

A Fundação da Oficina Chefe do Rito Adonhiramita

O Oficina Chefe do Rito Adonhiramita nasceu, portanto, no seio do Grande Oriente do Brasil (potência instalada em 23/11/1831 por José Bonifácio). Essa potência governava os graus simbólicos e filosóficos dos ritos Adonhiramita, moderno e REAA. ​

A Loja Comércio e Artes da Idade do Ouro que estava adormecida desde 1822 volta suas atividades no Rito Escocês Antigo e Aceito, se filiando ao Grande Oriente Brasileiro (Grande Oriente do Passeio, fundado em 1830 e instalado em 24 de junho de 1831 pelo Senador Vergueiro). José Bonifácio, inconformado, funda uma loja homônima, no Rito Moderno de efêmera duração.

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A primeira Loja do Rito Adonhiramita a ser fundada no Grande Oriente do lavradio foi a “Sabedoria e Beneficência”, na cidade de Niterói, (abateu colunas em 1850). Em 1839 surgiu a segunda loja do rito, denominada de “Firmeza e União”. No mesmo ano, o Grande Oriente do Brasil instituiu o "Grande Colégio dos Ritos Azuis", incluindo o Rito Adonhiramita.

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Em 1854, com a incorporação regular do Rito Escocês Antigo e Aceito ao GOB, o “Grande Colégio dos Ritos Azuis” sofreu uma transformação significativa, tendo em vista que oficialmente o REAA se incorporaria ao GOB e exigia um governo decentralizado, desta forma, foi criado em 1855, o “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” (Ritos Moderno e Adonhiramita), que comporia colateralmente ao Supremo Conselho do REAA. O Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis teve efêmera duração.

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Em 1863, menos de dez anos após sua criação, ocorreu a dissidência liderada por Saldanha Marinho, quando foi criado e instalado o “Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos. As Lojas fundadoras da nova potência foram as seguintes: Caridade; Comércio; Dezoito de Julho; Estrela do Rio; Imparcialidade; Philantropia e Ordem, e; Silêncio.

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​Passado dez anos após a cisão, precisamente em 21 de Junho de 1870, Saldanha Marinho resolve propor a Visconde do Rio Branco (Grão Mestre do Grande Oriente do Lavradio) a fusão da maçonaria brasileira em uma única grande família. ​Após um ano da proposta, acordaram os termos da votação para a fusão. Ocorreu a votação em duas sessões como segue: a primeira, em 29/05/1872; a segunda, em 04/06/1872; sendo aprovada através do Decreto 01 (29/01/1872) e o Decreto 02 (04/06/1872). O Grão-Mestre Provisório nomeado para administrar o novo corpo foi o Dr. Antônio Felix Martins (Barão de São Félix).

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No mês de setembro do mesmo ano foi realizada as eleições para o cargo de grão-mestre, sendo vencedor, Saldanha Marinho, com 222 votos validos contra 190. ​Visconde do Rio Branco, sendo derrotado nas urnas, inconformado, declarou nula a fusão através do Decreto nº 13 de 16/09/1872 (seguindo os mesmos preceitos de José Bonifácio). A partir da edição do citado decreto voltou a atividade as duas potências, ou seja, o Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos e o Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio. Nesta ocasião passou a existir três potências maçônicas distintas: GOB-L - Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio; GOB-B - Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos; GOUB - Grande Oriente Unido do Brasil (nova potência resultado da fusão). Além das três potências citadas, existia também uma quarta, denominada Grande Oriente Brasileiro (conhecido também como Grande Oriente do PasseioP (potência fundado em 1830 por Senador Vergueiro, ficando inativo entre 1864-1867).

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Em 1874, o Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos cessou suas atividades definitivamente sendo extinto. Suas lojas se filiaram no GOUB e no GOB-L, o restante no GOP - Grande Oriente do Passeio.

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O Rito Adonhiramita foi muito bem sucedido no Grande Oriente Unido do Brasil. O número de Lojas do rito suplantou aquelas do GOB-L (5x2). Assim, a nova potência (resultado da fusão de 1872) criou o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas” através dos arts. 31 e 44, e de sua Constituição, promulgada através do Decreto Nº 04 de 23/09/1872 (a sessão de nº 1 ocorreu em 3 de outubro de 1872, quando foi realizada a primeira eleição, sendo empossados seus Grandes Oficiais. A segunda sessão ocorreu no dia 9 de novembro de 1872). Seu primeiro Grande-Mestre foi o Visconde de Ponte Ferreira (Dr. João Fernandes Tavares - Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1795 — Rio de Janeiro, 10 de julho de 1874).

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No GOB-L existiam duas lojas adonhiramitas: a “Firmeza e União II” (1854) , “Aliança” (1869). Para concorrer com GOUB foi fundada em 1872 uma terceira loja, denominada de Loja “Redenção”, perfaziam assim, três lojas simbólicas. Com essas lojas, o GOB criou através Decreto nº 21, de 2 de abril de 1873, um homônimo (cópia), com a mesma denominação, ou seja, “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas”. Seu Grande-Mestre nomeado foi o Dr. Joaquim José da Cunha Guimaraes.

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Três anos passado do falecimento de Visconde do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos: Salvador, 16 de março de 1819 – Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1880), ao completar dez anos da tentativa de fusão (1872), Saldanha Marinho, demostrando todo seu amor pela maçonaria brasileira, empregando todos os meios para sua unificação, propôs novamente uma nova fusão, sendo efetuada no dia 21 de dezembro de 1882. Passando a partir de janeiro de 1883, existir tão somente um grande oriente (extinção do Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio e do Grande Oriente Unido do Brasil), simplesmente denominado de "Grande Oriente do Brasil - GOB". Com a fusão a Maçonaria Adonhiramita se solidifica em única família brasileira. Em 1883, o novo GOB contava com as seguintes lojas adonhiramitas capitulares:

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Aurora, Belém, PA

Discrição, RJ

Fraternidade Alagoana, Maceió, AL

Liberdade e Fraternidade, RJ

Modestia, Morretes, RS

Mistério, RJ

Perfeita Amizade Alagoana, Maceió, AL

Segredo, RJ

União e Fidelidade, Santarém, PA

Liberdade, RJ

Firmeza e União II, MA

Aliança, RJ

Redenção, RJ

Asilo da Prudência, RJ

Frank-Hiramita, RJ

Descrição, RJ

Aliança e Vigilância de Niteroy, RJ

Luiz de Camões, RJ

AS CISÕES NO GRANDE ORIENTE DO BRASIL

A Fundação do Grande Oriente de São Paulo

Surge em 1893 um grupo de lojas lideradas por Dr. Martim Francisco Ribeiro de Andrada III, insatisfeitas com o resultado da fusão dos dois grande orientes, desejando independência e autonomia da maçonaria paulista. Resolveram então, fazer uma nova cisão, criando assim, em 28 de maio de 1893, um novo corpo maçônico, autônomo, independente, simplesmente denominado de GOSP - GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO (1993-1901). Foram diversas lojas que idealizaram a fundação da nova corporação maçônica, dentre elas, os jornais da época destacam: a Loja América; Loja Harmonia e Caridade; Loja Itália; Loja Roma, Loja Sete de Setembro: Loja União Paulista, e; Loja 20 de Setembro. Na mesma data foi fundada a Loja Maçônica 28 de Maio, no Rito Moderno. Nos meses seguintes outras lojas foram fundadas e/ou filiadas ao GOSP.

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O primeiro Grão-Mestre nomeado para dirigir o GOSP foi o Dr. Martins Francisco Ribeiro de Andrada, tendo como 1º e 2º Grandes Vigilantes, Grande Orador, Grande Secretario, respectivamente: Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva; Dr. Gerônimo Couto; Dr. Lambert César Andreini; Dr. Geraldo Ribas.

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​Inspirado pela maçonaria paulista, entre o periodo de 1894-1901, ocorreram outras cisões nos estados de Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, seguindo o modelo do GOSP.

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Em 1897, conforme relatavam os jornais da época, houve uma tentativa de unificação do GOB com GOSP, mais sem sucesso. No mesmo ano, as Lojas América e Itália romperam com GOSP e retornaram para o GOB. Nesta mesma época, o GOSP fundou um novo supremo conselho independente federado ao Supremo Conselho Italiano, com sede em Nápoles. As lojas subordinada ao GOSP praticavam o REAA, enfraquecendo substancialmente o Rito Adonhiramita.

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Graças a persistência, o carisma e liderança do Grão-Mestres Quintino Antônio Ferreira de Sousa Bocaiuva, seguido de Lauro Nina Sodré e Silva, em 1901, a fusão do GOSP e GOB se concretiza, quando da alteração da constituição do GOB e criação e instalação das potências estaduais.

A Fundação do Grande Oriente Independente Paulista

As lojas "Sadi Carnot (Piratininga)", "Germinal" (Piratininga), "Humanitas" (Piratininga), "Rio Branco II" (São José dos Campos) fundaram em 1903 (Diário da Tarde, Ano 1903 Edição 01279) uma nova potência simbólica estadual independente, simplesmente denominada de GOIP - GRANDE ORIENTE INDEPENDENTE PAULISTA (1903-1919), sendo incorporada em 1908 ao projeto, a Loja Maçônica "Amor e Caridade nº 313", que estava adormecida desde 1887 (extinção do Grande Oriente Brasileiro). Nos anos seguintes outras lojas foram sendo incorporadas e fundadas ao GOIP. A nova potência foi instalada pelo Grande Oriente do Rio Grande do Sul, tendo como seu primeiro Grão Mestre, o Coronel Antonio de Carmo Branco.

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Com a posse do Grão-Mestre Nilo Procópio Peçanha, as lojas dessa potência foram sendo incorporadas no GOESP - Grande Oriente Estadual de São Paulo (resultado da fusão do GOSP e GOB em 1901). Em 1919 o GOIP - GRANDE ORIENTE INDEPENDENTE PAULISTA foi definitivamente extinto e suas lojas incorporadas ao GOB e outras adormeceram.

A Fundação do Grande Oriente Autonomo

de São Paulo

Em 09 de janeiro de 1916, as lojas italianas independentes "Libertas", "Fratellanza Universale", "Giustizia" e "Giuseppe Mazzini" fundaram uma nova potência simbólica no Estado de São Paulo, denominado de GOASP - "GRANDE ORIENTE AUTÔNOMO DE SÃO PAULO (1916-1922), sendo incorporada ao projeto, a Loja Maçônica "Lavouro Fratellanza (Cravinhos). Foi aclamado como Grão-Mestre, o Prof. Dr. Arthur Guaniery, tendo como Grão-Mestre Adjunto, o Dr. Antônio Piccarollo, ambos italianos.

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A partir desse momento passou a existir as seguintes potências simbólicas no Estado de São Paulo: a) GOASP - Grande Oriente Autônomo de São Paulo, com sede a Rua José Bonifácio, 39; b) GOIP - Grande Oriente Independente Paulista, com sede a Rua Luiz Gama, 137; c) GOESP - Grande Oriente Estadual de São Paulo (GOB), com sede a Rua Tabatinguera, 74.

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Todas as lojas maçônicas do GOASP eram formadas por imigrantes Italianos e seus descendentes. Essa potência se dedicou intensamente as causas operárias e ao socorro mútuo dos necessitados paulista afetado pela gripe espanhola. Tinha como lema e bandeira: "O Amor e a Fraternidade". No momento em que o Brasil enfrentava a Gripe Espanhola. O GOASP transformou suas instalações em prontos socorros para atender a população. Essa potência tinha relações fraternais com o Grande Oriente de Itália. - GOI

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Com a renuncia em 1921 do Prof. Dr. Artur Guaniery, ao cargo de Grão-Mestre, as lojas do GOASP passaram a aderir o GOESP - Grande Oriente Estadual de São Paulo (antigo GOSP), levando a potência a extinção. As Lojas Francisco Ferrer (São Paulo) e Águia Negra (Espirito Santo do Pinhal), logo após a posse do Grão-Mestre Mário Marinho de Carvalho Behring, retornaram em 1922 para a federação do GOB.

As Idas e Vindas do GOSP

Nilo Procópio Peçanha tomar posse em 1917 como grão-mestre do GOB e a crise na maçonaria paulista volta novamente com força e vigor. Conforme relatam documentos históricos arquivados na Biblioteca Nacional, logo após sua posse, os ânimos dos maçons paulistas se alteraram (1917-1921), quando teve início uma série de eventos que levariam à uma possível dissidência da maçonaria paulista.

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De acordo com José Castellani e outros autores, em 1921, o Grão-Mestre Estadual do Grande Oriente Estadual de São Paulo, Dr. José Adriano Marrey Júnior, convocou uma reunião com as 65 Lojas paulistas para decidir as atitudes que deveriam ser tomadas sobre uma nova cisão, votando a proposta de Marrey Júnior de retirar o Grande Oriente Estadual das fileiras do GOB. Das 53 Lojas participantes dessa reunião, apenas a Loja Piratininga votou contra a separação, justificando seu voto e retirando-se da reunião. O Poder Central reagiu violentamente, declarando pelo Decreto nº 694, de 27 de outubro de 1921, a suspensão do Grande Oriente do Estado de São Paulo e cassação das Cartas Constitutivas das lojas dissidentes.

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Em 1928, Dr. Marey Jr. e Octávio Kolly celebram um novo acordo para o retorno do Grande Oriente de São Paulo ao GOB, entretanto, só foi reincorporado definitivamente quando da assinatura do Decreto nº 939, de 11 de maio de 1929, tornando-a novamente potência estadual onde permaneceu ate 2018, quando se desfederalizou passando a ser não reconhecida pela maçonaria regular nacional e internacional.

A Fundação das Grandes Lojas Simbolicas Brasileiras

Em 1927 passou a ser Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, o irmão Otávio Kelly e, de acordo com a legislação vigente, declarou que assumiria o alto posto do Supremo Conselho. Marcou então uma reunião de seu Conselho Geral para o dia 20 de junho de 1927. Alguns dias antes, em 17 de junho, em uma sexta-feira, Mário Behring, realizou uma reunião extraordinária do Supremo Conselho tomando decisões importantes como as de expedir Cartas Constitutivas as Grandes Lojas que estavam sendo criadas nos estados da federação. Como segunda medida, entre outras decisões tomadas naquela célebre reunião, foi a de romper relações com o Grande Oriente do Brasil. Na oportunidade foi declinado que o Soberano Comendador seria elegível pelos membros efetivos e que o Grão-Mestre não necessariamente deveria ter graus além de Mestre Maçom. Quando o Grão-Mestre Otávio Kelly realizou a reunião do Grande Oriente do Brasil no dia 20, segunda-feira, a separação definitiva dos graus simbólicos e filosóficos já estava decidida pelo Supremo Conselho de Mário Behring.

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O Brasil estava iniciando as mudanças para adaptar-se as exigências da III Conferência Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceito realizada em Lausanne realizada de 29 de maio à 2 de junho de 1922. Foi lá que iniciou a derradeira exigência para que os Supremos Conselhos fossem independentes. Sendo o Supremo Conselho o legítimo detentor do Rito Escocês perante os outros 35 Supremos Conselhos no mundo as quais, durante anos, Mário Behring manteve profícuo relacionamento.

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Da cisão criada por Bering no seio do Grande Oriente do Brasil, surgiriam as primeiras Grandes Lojas Simbolicas no Brasil, as quais foram regularmente instaladas sob a autoridade de Cartas-Patentes Constitutivas outorgada pelo Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil. Foram elas: Grande Loja da Bahia, fundada em 22V05/1927; Grande Loja do Rio de Janeiro, fundada em 22/06/1927; Grande Loja de São Paulo, fundada em 29.07.1927; Grande Loja da Paraíba, fundada em 24/08/1927; Grande Loja do Amazonas, fundada em 24/06/1927; Grande Loja de Minas Gerais, fundada em 26/09/1927; Grande Loja do Rio Grande do Sul, fundada em 08/01/1928; Grande Loja do Pará, fundada em 28/07/1927; Grande Loja do Ceará, fundada em 19/03/1928.

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A partir da fundação das grande lojas citadas e com o apoio do Supremo Conselho de Bering, foram fundadas outras grandes lojas autonomas e independentes em todos os estados da federação brasileira.

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As lojas adonhiramitas que aderiram as Grandes Lojas Simbolicas do Brasil passaam a praticar o Rito Escoces Antigo e Aceito. O Oficina chefe sofreu uma perda irreparavel com a fundação das Grandes Lojas Simbolicas.

Outras Cisões na Maçonaria Brasileira

Outra cisão ocorreu em 1948 no seio da maçonaria paulista e mineira, os maçons alteram-se os ânimos e fundam o Grande Oriente Unido e seu Soberano Supremo Conselho em São Paulo e o Grande Oriente de Tiradentes e seu Supremo Conselho em Minas Gerais. Em 22 de dezembro de 1956, através do Decreto 1767 e Ato Complementar 2.479, o Grande Oriente Unido com suas 52 lojas paulista é reincorporado ao Grande Oriente do Brasil.

Em 1973 ocorreu uma das maiores cisões na maçonaria brasileira, surge então, os Grandes Orientes Independentes, atualmente (COMAB) voltando a enfraquecer o rito.

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Todas as cisões ocasionaram perdas irreparáveis para o Rito Adonhiramita e para Sublime Capítulo dos Cavaleiros Noaquita para o Brasil, levando o Rito e sua Oficina Chefe quase a extinção.

A OFICINA CHEFE DA MAÇOARIA ADONHIRAMITA

O Rito Adonhiramita e sua Transformação

O Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas passou a se chamar em 1953 de "Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil", Oficina Chefe do Rito, autônoma e independente.

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Conforme constam em documentos históricos, em 15 de abril de 1968, era assinado entre o Grão-Mestre do GOB, Dr. Álvaro Palmeira e o Presidente do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, Dr. Josué Mendes, um tratado de aliança e amizade.

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Em 1973, ocorreu uma grande reviravolta no Rito Adonhiramita, neste ano, treze Grandes Orientes Estaduais se desligaram do GOB, significando uma perda catastrófica para o rito. A maior parte das lojas praticantes do Rito Adonhiramita, que fundaram ou migraram para as potências autônomas passaram a praticar o Rito Escocês.

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Para recuperar o Rito Adonhiramita dentro do GOB e dentro do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil” era necessário atrair maçons de outros ritos. Dessa forma, em 1973, o “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil” muda sua denominação social para “Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita” (ECMA). Restava ainda a completa reformulação do rito para que se tornasse mais atrativo para uma população maçônica majoritariamente do REAA, ou seja, habituada a um sistema de 33 graus e que não se sentiria atraída por um rito com apenas 13 graus.

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Precisamente em 02 de junho de 1973, ocorreu uma reforma administrativa que o transformou o Sublime Capitulo no Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita, passando a partir de então, de 13 para 33 graus.

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Dentro poucos anos, o Rito Adonhiramita estava completamente transformado ou poderíamos assim dizer, destruído sua essência (reneado). Foi Introduzido no rito o que chama de "Cerimônias Extras" que nada tem haver com o rituais originais, tais como: cerimonial de incensação; cerimonial das Luzes; movimento para troca de bolsa; infinito; uma acentuada influência ocultista e uma tendência a contínuas modificações que nada tem haver com o rito; um misto de religião e ocultismo com base nas obras de Jorge Adoum e rosa-cruzianas. Mas, como esperado, as alterações surtiram efeitos, maçons de todos os ritos e culturas começaram a migrar para o Rito Adonhiramita.

A Regresso do Rito Adonhiramita para Europa

Em 2010, a Maçonaria Adonhiramita faz o caminho de volta à Europa (sua origem), passando a ser praticado novamente em Portugal. Naquele ano, o Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita instalou e consagrou em solo portugues, o ECMAP - Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita para Portugal, como único, legal e legitimo "Oficina Chefe" do Rito Adonhiramita para Portugal, firmando tratado de mutuo reconhecimento e amizade.

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Com as irregularidades na então administração no Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita e a suspensão dos direitos maçonicos de quase todos os membros de seu corpo administrativo, o ECMAP rompeu o tratado de mutou reconhecimento e amizade em 2013 com o ECMA, declarando-o irregular. Diante da situação que atravessava a Maçonaria Adonhiramita no Brasil, houve a necessidade de ser instalado uma nova potência filosofica em solo brasileiro, assim nasceu em 2013, o Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita para Brasil - ECMAB, sendo instalado pelo Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita para Portugal - ECMAP.

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O ECMAB em 2016 mudar-se-ia seu nome para Supremo Conselho Adonhiramita do Brasil - SCAB. Desde então, o SCAB passou a ser considerado a única, regular, legal e legitima Oficina Chefe do Rito Adonhiramita em território brasileiro, guradião legitimo de sua liturgia. Infelizmente, o ECMA não conseguiu restabelecer sua regularidade perante a maçonaria regular brasileira.

A ESTRUTURA DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA

O Rito Adonhiramita e sua Extrutura

A estrutura do Rito Adonhiramita foi organizada em três graus simbólicos (Travenol: 1744-1748), e destes, elevaram-se a principio, à 13 graus (Sant-Victor: 1782-1887). Em 1973, com a necessidade das mudanças em sua extrutura para atender uma maçonaria mais participativa, o rito foi elevado para 33 graus (Morin: 1763) extraídos da genuína maçonaria especulativa, sendo classificados em sete classes distintas.

A Maçonaria Simbólica ou Maçonaria de São João

Os graus simbólicos da Maçonaria Adonhiramita ficam sob a administração exclusiva das obediências simbólicas e autoridades supremas dos seus grãos-mestre.

1ª Classe - Loja Simbólica ou de São João

Grau 1 - Aprendiz Maçom

Grau 2 - Companheiro Maçom

Grau 3 - Mestre Maçom

A Maçonaria Adonhiramita Filosófica

Suas Câmaras, Capítulos Conselhos e Tribunais ficam sob administração exclusiva da Oficina Chefe, ou seja, o SUPREMO CONSELHO ADONHIRAMITA DO BRASIL - SCAB, sendo autoridade suprema do seu Eminentíssimo Grande Patriarca Regente.

2ª Classe - Loja de Perfeição

Grau 4 – Mestre Secreto (Iniciático)

Grau 5 – Mestre Perfeito (Comunicação)

Grau 6 – Preboste e Juiz (Comunicação)

Grau 7 – Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove (Iniciático)

Grau 8 – Segundo Eleito ou Eleito Pérignan (Comunicação)

Grau 9 – Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze (Comunicação)

Grau 10 – Aprendiz Escocês ou pequeno Arquiteto (Comunicação)

Grau 11 – Companheiro Escocês ou Grão Mestre Arquiteto (Comunicação)

Grau 12 – Mestre Escocês ou Grão-Mestre Arquiteto (Iniciático)

Grau 13 – Cavaleiro do Real Arco (Comunicação)

Grau 14 – Grande Eleito ou Perfeito e Sublime Maçom (Iniciático)

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3ª Classe - Capitulo de Cavaleiro Rosa-Cruz

Grau 15 – Cavaleiro do Oriente, da Espada ou da Águia (Iniciático)

Grau 16 – Príncipe de Jerusalém (Comunicação)

Grau 17 – Cavaleiro do Oriente e do Ocidente (Comunicação)

Grau 18 – Cavaleiro Rosa-Cruz (Iniciático)

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4ª Classe - Capitulo de Cavaleiro Noaquitas

Grau 19 – Grande Pontífice ou Sublime Escocês (Comunicação)

Grau 20 – Venerável Mestre das Lojas Regulares ou Mestre Ad Vitam (Comunicação)

Grau 21 – Cavaleiro Noaquita ou Cavaleiro Prussiano (Iniciático)

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5ª Classe - Conselho Filosófico de Cavaleiro Kadosch

Grau 22 – Cavaleiro do Real Machado ou Príncipe do Líbano (Iniciático)

Grau 23 – Chefe do Tabernáculo (Comunicação)

Grau 24 – Príncipe do Tabernáculo (Comunicação)

Grau 25 – Cavaleiro da Serpente de Bronze (Comunicação)

Grau 26 – Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário (Comunicação)

Grau 27 – Grande Comendador do Templo (Comunicação)

Grau 28 – Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto (Comunicação)

Grau 29 – Cavaleiro de Santo André (Iniciático)

Grau 30 – Cavaleiro Kadosch (Iniciático)

6ª Classe - Consistório

Grau 31 – Sublime Iniciado e Grande Preceptor (Iniciático)

Grau 32 – Prelado Corregedor e Ouvidor Geral (Iniciático)

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7ª Classe - Patriarcado

Grau 33 – Patriarca Inspetor-Geral (Iniciático)





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